Usar ou não adoçantes?

6 de março de 2014




Adoçantes artificiais dessensibilizar as pessoas à doçura Foto: Getty Images

Adoçantes, ou também chamados edulcorantes, são substâncias com baixo, ou nenhum valor energético, que tem por finalidade agregar paladar doce aos alimentos.
Por ter poder capacidade de adoçamento maior que o açúcar convencional é  possível obter o mesmo poder de paladar com pequenas quantidades.

O uso é bastante vantajoso principalmente quando focamos em pessoas com necessidades específicas, como diabéticos, ou pacientes com objetivo de emagrecimento.
Dentre todos existentes e aprovados, os mais conhecidos são: sacarina/ciclamato, aspartame, sucralose, stevia e acessusfame K.

Na realidade o uso de adoçantes hoje em dia gera bastante polêmica, principalmente quando falamos dos artificiais, pois há quem diga que eles podem causar problemas, porém não existem constatações que realmente validem essas informações.

O ideal é sempre respeitar as quantidades de limite diário de ingestão, estabelecido pelo IDA (Ingestão diária recomendável), que teve valores estabelecidos pelo JECFA, que é o Comitê Internacional de Especialistas que determina regras para segurança dos aditivos alimentares. Esse Comitê está de acordo com o FDA (Food and Drugs Administration) e o NCI (National Cancer Institute) e suas regulamentações são seguidas pela ANVISA no Brasil.
A escolha de qual adoçante usar dependerá do paladar de cada pessoa.

Alguns exemplos dos tipos de adoçantes e suas Ingestões diárias aceitáveis ( em mg) :
Adoçantemg/kg/dia
Acesulfame-K9 a 15
Aspartame 40
Ciclamato11
Steviosídio5,5
FrutoseNão existe limite
Sacarina 5
Sucralose 15
Manitol 50 a 150

Para exemplificar de uma forma prática, uma pessoa de 60 kilos para chegar aos valores do IDA, poderia utilizar 460 gotas ou 60 sachês de adoçante a base de Aspartame. Vale lembrar que os valores estipulados no IDA tem uma margem de segurança com valores em torno de 10x inferior do limite considerável prejudicial para a saúde, ou seja, nenhuma dessas substâncias faz mal, desde que ingeridas na quantidade máxima permitida.

Muitos dos adoçantes são isentos de calorias e não causam impactos nos níveis de açúcar do sangue, mesmo os que contêm calorias, possuem a mesma quantidade do açúcar convencional, porém, como seu poder de doçura é muito maior, as quantidades utilizadas são extremamente menores e por isso não causam impacto na ingestão calórica.

Alguns açúcares naturais, como por exemplo, provenientes das frutas, a frutose, e o próprio mel, são opções mais saudáveis, mas ainda assim aumentam os níveis de açúcar no sangue e contém praticamente o mesmo valor calórico do açúcar refinado, não sendo recomendados para diabéticos, para dietas de perda/controle de peso e nem devem ser aquecidos, pois perdem parte de suas propriedades nutricionais.

Dependerá do objetivo do consumidor, por exemplo, para preparos que serão aquecidos, os melhores são sucralose e acessulfante K, pois sua composição química não sofrerá impacto de degradação com o calor e manterá o sabor doce.

O steviosídeo (stevia) tem sido bastante recomendado, por ser de origem vegetal.
Os diabéticos devem verificar os rótulos, para garantia de não consumirem possíveis misturas entre açúcar e adoçantes, no intuito de diminuir o valor energético desses produtos.

Gestantes, lactentes e fenilcetonúricos têm restrições em relação ao aspartame, por conter fenilalanina.

Intolerantes à lactose, têm restrições no consumo de sucralose, pois a fórmula tem lactose nos ingredientes.

De uma forma geral, para saber o tipo certo de adoçante para cada pessoa, o indicado é estar ciente de suas restrições e necessidades, lendo sempre os rótulos com atenção e se necessário, procurar auxílio profissional.

Bem, dentre algumas das poucas diferenças, podemos notar principalmente a cor e sabor e um segundo momento, o valor nutricional entre eles, podendo considerar que os mais escuros, possuem mais vitaminas e sais minerais, por estarem mais perto do estado bruto, mas ainda assim fornecem praticamente a mesma quantidade de calorias entre si.

Açúcar refinado ou também conhecido como açúcar branco, é o mais fácil de encontrar hoje em dia. Ele é processado a partir do melado de cana ou do açúcar mascavo. O produto inicialmente é marrom, então recebe adição de gás sulfídrico e algumas outras substâncias químicas para ficar mais claro. Nesse processo, o produto final chega ao consumidor sem vitaminas e sais minerais, ou seja, se transforma num alimento sem aporte nutricional (calorias vazias).

Açúcar demerara passa por um refinamento leve e não recebe nenhum aditivo químico, por isso, tem tonalidade marrom-claro. Ele acaba sendo um tipo de açúcar cristal e apresenta valores nutricionais similares ao açúcar mascavo.

Açúcar mascavo é o açúcar bruto, escuro e úmido, extraído depois do cozimento do caldo de cana. Como o açúcar mascavo não passa pela etapa de refinamento, ele conserva minerais como cálcio, magnésio e o potássio.

filippo
Filippo Pedrinola é Doutor em endocrinologia pela faculdade de medicina da USP.
Membro da sociedade Brasileira de endocrinologia ( SBEM), da associação brasileira de obesidade ( ABESO) e da endocrine Society-EUA.
Certificado em medicina mente-corpo pela Harvard Medical School
Body, mind institute; Certificado pela stress managenment association ( ISMA); autor do livro “Um convite a saúde” publicado pela editora Abril em 2011 e diretor médico do SPA Cidade Jardim e do SPASISSIMO no Casa Grande Hotel, no Guaruja
contato: filippo@endocrinologista.com.br

Espero ter ajudado, especialmente aos diabéticos, que não tem outra opção, ou seja, dependem do uso deste produto, mas claro que tudo deve ser usado com moderação e cautela.

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