Livro: Vivificar, superando o imponderável

5 de agosto de 2016


Geralmente não faço posts deste tipo,mas emocionei-me com este depoimento desta corajosa mulher Viviane Ferreira e resolvi fazer este post, para servir de incentivo para mulheres que, de repente, estão enfrentando condição semelhante e sintam esperança de saber que é possível, com garra superar tudo na vida.


Pin it !Vivi na praia durante o seu tratamento (Foto: Acervo pessoal)
Em 1988, eu e minha família sofremos um acidente automobilístico. Minha mãe estava dirigindo e meu pai, eu, minha irmã e meu irmão estávamos no carro. O pneu de um caminhão veio na direção e nos acertou. Meu irmão, Marcos, de 10 anos, morreu na hora. Aquele acidente foi um grande trauma pra mim e pra minha família. Apesar disso, quase não tocávamos no assunto. Acho que essa mágoa me ajudou a desenvolver um câncer de mama 20 anos depois.

Em 2008, eu era casada, tinha uma filha de 3 anos e trabalhava com investimentos. Fazendo o autoexame percebi alguns carocinhos no meu seio direito. Na época, eu tinha 35 anos e já iria começar os exames regulares porque a minha mãe tinha tido câncer de Mama. Fiz a minha primeira mamografia e foi identificado um nódulo.
A minha mãe havia tido câncer de mama alguns anos antes, se tratou e ficou bem, mas a doença voltou. E ela teve uma metástase e a doença se espalhou pro cérebro. Então, quando eu descobri a minha doença, ela estava em tratamento. Eu e minha irmã achamos melhor não contar a ela. Foi muito difícil pra mim, além de estar doente, eu não podia contar com o colinho da minha mãe naquela hora.
Pin it !Vivi Ferreira  (Foto: Acervo Pessoal)
Comecei o tratamento. Enfrentei cirurgia, quimioterapia, radioterapia... Também precisei fazer uma mastectomia das duas mamas, que nem a Angelina Jolie, sabe? É uma maneira de reduzir os riscos da doença voltar.

Eu já não tinha a minha mãe ao meu lado e percebi que o meu marido também não estava me apoiando de coração. Nós éramos casados havia nove anos e o relacionamento não era dos melhores. Eu tinha medo de me expressar, nunca falava o que estava pensando. 
Percebi que meu casamento não fazia mais sentido, que eu não estava feliz. Então, fui mais forte do que Sansão e resolvi que, mesmo sem meus cabelos, ia tomar uma atitude e pedi o divórcio. Ele ficou muito surpreso, claro. Ele não imaginava que, naquele momento em que eu estava muito frágil e com a minha sexualidade abalada, eu seria capaz fazer uma coisa dessas.

A etapa da quimio foi a pior fase da minha vida. Em alguns momentos, achei que eu não fosse conseguir, sabe? Nessas horas eu sempre focava na Costanza, a minha filha, era por ela que eu continuava lutando.

Eu me recuperei e a fase turbulenta passou. Encontrei o homem da minha vida, me casei novamente e estava fazendo terapia, lidando melhor com o acidente que matou meu irmão, resolvendo todos aqueles sentimentos que haviam ficado represados por muito tempo.
 
Infelizmente, em 2013,  a minha mãe morreu e, pouco tempo depois, o meu câncer voltou. Foi um choque tremendo. Ela morreu vítima do mesmo mal que eu tinha que enfrentar, o retorno de um câncer.    
Pin it !Vivi e sua filha Costanza (Foto: Acervo Pessoal)

Eu fiquei com muito medo. É apavorante pensar que o câncer sempre pode voltar, perceber que tudo que eu tinha feito antes não foi capaz de me curar de uma vez. A diferença central é que dessa vez eu tinha ao meu lado alguém que realmente se preocupava comigo, o meu marido. Isso me deu uma estabilidade emocional enorme.

Ele ficou todo o tempo do meu lado. Ele se programava pra estar presente em todas as consultas, sessões de quimio, ele estava sempre perguntando se eu precisava de alguma coisa. Foi completamente diferente, eu me sentia realmente amparada, mesmo após a morte da minha mãe.  
Pin it !Vivi, a filha e o marido (Foto: Acervo pessoal )
Dessa vez, durante o tratamento, eu intensifiquei o apoio psicológico e encontrei várias respostas que eu ainda precisava.

Hoje, eu estou superbem de saúde e muito feliz. Acabo de lançar o livro “Vivificar, Superando o Imponderável” em que conto toda a minha experiência e as lições fundamentais que eu aprendi. A minha ideia é ajudar os outros pra que ninguém tenha que passar pelo que eu passei pra aprender a se amar e a não represar sentimentos ruins.

Também quero que as pessoas saibam que há um final feliz depois da tempestade. E, sim, na vida, por mais difícil que seja, sempre tem uma escolha. Então, nunca aceite uma situação, uma relação, algo que não está te fazendo bem. Liberte-se!
Pin it !Vivi no lançamento de seu livro: "Vivificar, Superando o Imponderável" (Foto: Rodrigo Zorzi)

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